Arquivo#3 PENSE NICHO
com Pedro Barata Castro
Terreiro do Paço, Lisboa
Projecto auto proposto 2008, Publicação

“Pense Nicho”, a proposta de actividades para os nichos do Terreiro do Paço que aqui se apresenta, é um trabalho presentemente em desenvolvimento, após ter sido (inesperadamente) aceite pela Câmara Municipal de Lisboa como válido/ possível. A fase em que se encontra é a de divulgação e angariação de contributos, pelo que esperamos que este mesmo artigo possa contribuir nesse sentido.

UM PEQUENO PAÇO PARA O HOMEM
O Terreiro do Paço foi (e é) fundamentalmente um espaço de representação de poder. A relação que se estabelece entre individuo e espaço baseia-se normalmente numa forma de comunicação unilateral que o torna o primeiro num sujeito passivo, num observador exterior.
Numa leitura atenta percebe-se que a estátua central é um elemento excepcional na Praça não só pela sua dimensão e centralidade, mas também pelos níveis raros de apropriação que permite às pessoas, que se deitam nas escadas a apanhar sol a Sul ou se sentam a ler o jornal à sombra do lado Norte, ou sobem uns degraus para ver o rio, etc. Foi precisamente neste sentido de (re)descoberta de espaços que, pela sua escala e flexibilidade funcional, potenciam uma aproximação aos cidadãos, que propusemos a inclusão dos nichos existentes sob as arcadas como possíveis locais para actividades aos domingos. Reconhecemos nas suas qualidades espaciais o potencial latente para subverter a original vocação representativa e evocativa, centrando-a no cidadão.
Ampliando a visibilidade das acções individuais, acreditamos poder ampliar também, na consciência colectiva, o sentido de apropriação do espaço. “Um pequeno Paço para o Homem” refere-se também à analogia possível com a imagem da pegada de Neil Armstrong na Lua, no reforço do sentido de apropriação colectiva a partir de uma iniciativa individual.

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